O uso de recursos naturais como matéria-prima no artesanato é uma constante, principalmente a madeira de todas as espécies, que estão entre as mais frequentes de onde brotam formas diversas do imaginário artístico popular. No 19º Salão de Artesanato da Paraíba, que está sendo realizado no Jangada Clube, na praia de Cabo Branco, em João Pessoa, o espaço destinado à tipologia madeira tem sido um dos mais visitados pelos turistas que ficam encantados com a riqueza de detalhes das peças esculpidas e trabalhadas.
Entre a variedade que a tipologia madeira apresenta está o trabalho do artesão José Morais, natural do município de Campina Grande, a 125 km de João Pessoa. Participante do Salão desde sua primeira edição, o artesão lembra que deixou o ramo da alimentação para se dedicar ao artesanato em um momento de dificuldade financeira. “Naquela época vendíamos muito fiado e acabei não tendo como me sustentar. Até que passei na casa de um amigo peguei uma faquinha de serra e um pedacinho de umburana e comecei a talhar miniaturas de utensílios domésticos e depois comecei a esculpir as casas de taipa. Tudo da minha lembrança da primeira casa que tive. Hoje, vivo disso, graças a Deus”, relembrou o artesão.
Chaveiros, peças decorativas e casinhas típicas de sertanejo são hoje sua marca registrada já estando presentes em vários países como Bélgica, Canadá, Estados Unidos, Turquia e Portugal, onde tem peças representadas em uma exposição de artesanato.
O artesão Gilson Saraiva, de São José de Brejo de Cruz, município do Alto Sertão paraibano, percorreu 530 km para expor seus animais feitos em fibra de cipó em mais uma edição do Salão de Artesanato Paraibano. Apesar do cansaço da viagem, o artesão disse estar orgulhoso em poder representar sua pequena cidade de pouco mais de mil habitantes, bem como uma das vertentes da tipologia fibra.
“O sacrifício não é pelo dinheiro, mas pelo amor à arte que para mim é uma consagração. Faço todos os meus animais, desde cavalos, burros com barris de água, típicos da região, até dinossauros e girafas. É gratificante e compensa porque quando chegamos aqui temos incentivo e apoio. Já fui procurado por churrascarias e vendi algumas peças maiores e meus animais acabaram virando um cartão postal da entrada do salão. Todo mundo que chega quer voltar para casa com uma foto neles”, observou o artesão Gilson.
De acordo com a gestora do Programa de Artesanato, Ladjane Barbosa, o resultado parcial das vendas já está sendo computado, mas a expectativa é de superação em relação às edições anteriores. “Temos recebido muitos elogios, os artesãos também sempre nos surpreende com seus trabalhos cada vez mais elaborados e em apenas uma semana de evento já superamos a marca de visitantes e as vendas já ultrapassaram a ordem dos R$ 100 mil”, destacou.
O salão
Considerada uma das maiores feiras de artesanato do país, o 19º Salão de Artesanato da Paraíba apresenta o tema 'Nossa Arte tem Fibra' e destaca trabalhos de 6.272 artesãos de 130 municípios. Com muita novidade e inovação, os artesãos apresentam, além das peças em fibra, diversas tipologias em trabalhos produzidos em madeira, algodão colorido, cerâmica, couro, tecelagem, brinquedo, pedra, metal, osso, cordel, xilogravura e habilidades manuais.
O 19º Salão de Artesanato da Paraíba é uma promoção do Governo do Estado, por meio do PAP, que é vinculado à Secretaria de Estado do Turismo e do Desenvolvimento Econômico (Setde), sob a coordenação geral da primeira-dama do Estado, Pâmela Bório.
Funcionamento
O Salão funciona diariamente das 15h às 22h, até o dia 26 de janeiro. As exceções são para os dias 31 dezembro, bem como para o dia 1º de janeiro, quando o evento será fechado para as festas de final de ano. A visitação é gratuita.Via: Portal Correio
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