quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

PB tem 31 mamógrafos, 100% a mais que a média, mas eles se concentram nas grandes cidades


Equipamentos estão nas maiores cidades

A concentração mínima de mamógrafos por área geográfica na Paraíba deveria ser de 16 equipamentos, exatamente como diz a Portaria n° 1.101/GM de 2002. Porém, o levantamento realizado mensalmente pela equipe da Secretaria Estadual de Saúde revela que na rede SUS em todo o estado há 31 mamógrafos funcionando, sendo sete deles públicos, nas cidades de João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Guarabira, Picuí, Monteiro, Patos, Piancó, Itaporanga, Catolé do Rocha, Cajazeiras, Sousa, Princesa Izabel e Pombal.
Segundo esse documento, a recomendação sobre o número mínimo de mamógrafos deve ser de um para 240 mil habitantes. A portaria também orienta os gestores do Sistema Único de Saúde dos três níveis de governo sobre o planejamento, programação e priorização das ações de saúde a serem desenvolvidas.
De acordo com dados contidos no Sistema e Informações Ambulatoriais (SAI-SUS) do Ministério da Saúde, o total de mamografias realizados em mulheres de 50 a 69 anos, em todo o estado, em 2013 foi de 30.155.
A ginecologista especialista em reprodução humana, doutora Ariana Garcia Martins diz que o Brasil tem conseguido avançar na realização de mamografias pelo SUS, tendo examinado mais de 1 milhão de mulheres no primeiro semestre de 2012. O número representa um aumento de 41% na realização de exames em relação ao mesmo período de 2010. Este índice foi divulgado em outubro do ano passado, pelo Ministério da Saúde. Apesar disso, as pessoas que mais precisam do serviço não estão satisfeitas.
Protesto
Pelo menos 30 mulheres se reuniram na Praça dos Três Poderes, na manhã desta quarta-feira (5), no Centro de João Pessoa, com o objetivo de protestar sobre a qualidade dos atendimentos para mamografias na Paraíba, bem com a oferta e disponibilidade dos equipamentos próprios para o exame no estado.
Elas reclamam que há locais com mamógrafo, mas que não realizam o exame, e que há uma grande concentração desses equipamentos nas maiores cidades do estado, João Pessoa e Campina Grande, o que compromete o atendimento em outras localidades.
A presidente da ONG Amigos do Peito na Capital, Maria de Fátima de Azevedo Lucena, disse ao Portal Correio que o protesto foi totalmente pacífico e que o grupo foi muito bem recebido no Palácio do Governo, após manifestação tranquila que durou cerca de duas horas. Apesar disso, elas não conseguiram falar com Ricardo Coutinho, que está viajando, mas tiveram contato com o procurador geral da República, José Guilherme Ferraz, e marcaram novos encontros para debater o assunto.
Ela revela também que uma das mulheres que participa das ações promovias pela a ONG chegou a esperar quatro meses para fazer a mamografia.
A doença e o exame
O câncer também é conhecido como neoplasia maligna e engloba pelo menos 100 tipos de diferentes doenças. Os casos ocorrem a partir de células anormais que se reproduzem de maneira descontrolada e invadem demais células, tecidos e órgãos. Todas as pessoas estão sujeitas, mas à medida que a medicina e as pesquisas avançam e os cuidados com hábitos saudáveis são bem aproveitados, os casos podem ser revertidos. Apesar disso, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) diz que o Brasil deve registrar 576.580 novos casos em 2014.
O câncer de mama é o segundo que mais mata no Brasil, perdendo apenas para o de pele. Conforme dados do Inca, a doença tem maior incidência em mulheres, as quais respondem por 30% das ocorrências no país.
Em 5 de fevereiro é comemorado o Dia Nacional da Mamografia, logo após o Dia Mundial do Câncer. As datas têm como objetivo alertar as pessoas para que elas pratiquem hábitos saudáveis e freqüentem o médico periodicamente. Quando identificada de forma precoce, a doença é pode ser tratada as chances de sobrevida são de 61% na população do Mundo.
A mamografia é uma radiografia mamária feita por um equipamento específico chamado de ‘mamógrafo’. Segundo a ginecologista especialista em reprodução humana, doutora Mariana Garcia Martins, o exame objetiva estudar o tecido mamário, a fim de detectar um nódulo que nem as mulheres e nem os médicos conseguem perceber. São os chamados tumores impalpáveis, geralmente menos agressivos e com chances de cura quando diagnosticados e tratados de forma adequada.
Todas as mulheres que têm entre 40 e 49 anos de idade, sem nenhum histórico familiar de câncer de mama ou no ovário, devem fazer a mamografia anualmente. A partir dos 50 anos, a mulher deve fazê-lo a cada dois anos. Se houver histórico familiar, o procedimento deve ser iniciado aos 35 anos e realizado anualmente.
A confeiteira Roseane Maia, 48 anos, fez a primeira mamografia em 2012, quando ainda tinha 47 anos. Como ela não tem histórico da doença na família, o médico recomendou que o procedimento fosse realizado a cada dois anos. “Como não há casos de câncer na minha família e já estou perto dos 50 anos, o especialista indicou que eu faça a mamografia a cada dois anos, no máximo. Muitas mulheres reclamam que o exame é dolorido e desconfortável, mas eu não tive nenhum problema quando fiz. Também não foi demorado; fiquei por uns 15 minutos no procedimento”, explica Roseane.
Algumas mulheres reclamam do desconforto
Foto: Algumas mulheres reclamam do desconforto
Créditos: Reprodução 
Homens, grávidas e mulheres com próteses também podem fazer
A Doutora Mariana Garcia explica que além das mulheres, os homens também podem fazer a mamografia. Eles também estão sujeitos ao câncer de mama, apesar de serem casos raros. Para eles, a indicação de necessidade do exame de mamografia é a existência de nódulos que podem ser sentidos.
Sobre restrições, a ginecologista fala que não há nenhuma. “O exame pode ser feito por mulheres com prótese de silicone, que já realizaram outros tipos de plástica ou passaram por sessões de radioterapia por conta de nódulos anteriores”. Quanto às grávidas, ela fala que “o exame indicado é o ultrassom. Se a mamografia for necessária, os radiologistas protegem o abdome da mulher com um avental de chumbo, já que, o bebê está em formação e com muitas células em desenvolvimento”.
História
A ginecologista Márcia Garcia explica porque o dia 5 de fevereiro foi escolhido para comemorar p Dia Nacional da Mamografia.
Na mesma data, durante a Idade Média, Santa Ágata, protetora das mamas e padroeira dos mastologistas, teve as mamas decepadas por espadas de soldados, e, por isso, ela passou a ser vista como a protetora das mamas.
Via: Portal Correio

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