domingo, 16 de julho de 2017

Eurico rebate acusações, reclama de "dupla punição" e acusa PM de retaliação

Normalmente, quem costuma dar entrevista coletiva depois das partidas são os treinadores. No caso do Vasco, após o empate em 0 a 0 contra o Santos no Estádio Nilton Santos, seria o auxiliar Ednelson Silva - já que Milton Mendes está suspenso. 
Mas quem pediu a palavra, mais uma vez, foi o presidente do clube, Eurico Miranda.

Sobre o jogo, o mandatário Cruz-Maltino se resumiu a dizer "Se tivesse que sair um vencedor dessa partida, teria que ser o Vasco". O assunto que queria falar era novamente a confusão ocorrida no clássico contra o Flamengo, no último sábado.

Ao longo de quase meia hora de pronunciamento mais coletiva, o dirigente buscou eximir a diretoria do Vasco de culpa no episódio, acusou a Polícia Milita de retaliação e rebateu uma reportagem exibida pelo Jornal Nacional na qual mostra que o Gepe investiga a atuação de membros de uma torcida organizada - suspensa por atos violentos - atuando como funcionários do clube em dias de jogos em São Januário


- Eu quero dizer que, em primeiro lugar, que o maior interessado que todos os episódios que ocorreram naquele jogo fossem esclarecidos é o Vasco. O Vasco foi o primeiro a ir na delegacia de polícia, pediram que se abrisse inquérito apresentando queixa-crime, se colocou inteiramente à disposição das autoridades, para o que fosse necessário. E o que aconteceu? Aconteceu que uma atuação abusiva, temerária, excessiva por parte da Polícia Militar, que foi a grande responsável por tudo o que aconteceu, não foi levada em consideração.
Eurico acusou a PM de ser a responsável pela confusão que culminou com a morte de um torcedor próximo do estádo, criticou a conduta de policiais do Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios) e ainda levantou a suspeita de que pessoas que trabalham na entidade protegem o rival Flamengo.

- A atuação da PM foi abusiva, temerária, excessiva e digo mais, negligente, demonstrou incompetência. Eu disse na matéria, e vou dizer para vocês todos, que estranhava muito que o Gepe faça relatório e não tenha um relatório de acontecimento que tenha ocorrido na Ilha do Urubu. Por quê? É tratamento diferenciado? Ou têm componentes do Gepe que prestam serviços ao Flamengo?

- Esse que morreu, morreu a quatro quadras do estádio do Vasco. E um PM que atirou. Botaram imagens do PM saindo com arma na mão. Foi divulgado e comprovando que um PM do Gepe, de dentro do gramado, atirou bomba de gás lacrimogêneo indiscriminadamente, no meio do torcedor, e depois se vangloriou que mandou e que mandou e era para mandar muita coisa em cima do “chiqueirão”. E ainda teve a coragem de botar a camisa do Flamengo. E divulgar isso. A PM já tomou conhecimento. Divulgou alguma coisa a respeito em relação a esse policial? O Vasco procurou, com as imagens que tem, todos aqueles que conseguiu identificar. Um era soldado do exército. Está sendo apresentado, como foi apresentado antes - afirmou Eurico.

Eurico também lamentou o prejuízo com a ausência da torcida no Nilton Santos. São Januário foi interdidado pelo STJD, e o Departamento de Competições da CBF determinou a realização do jogo deste domingo com portões fechados, alegando questões de segurança. O dirigente classificou as medidas como uma "punição dupla", pois além de não vender ingressos, o clube precisa alugar um estádio para atuar.

- Prejuízo, por alto, de mais de R$ 1 milhão. Porque se leva em conta o que deixa de arrecadar e o que teve que gastar. Mas o prejuízo financeiro é até secundário. Se levar em consideração o prejuízo de ordem técnica, esse não dá nem para calcular.

- O Vasco recebeu uma dupla punição. Perdeu o mando de campo e teve que jogar com portão fechado. A CBF tinha determinado portão fechado. E a PM disse com a maior tranquilidade que nao podia dar segurança no entorno de São Januário. Onde ela pode dar segurança? Aí e ela dá segurança no entorno do Engenhão? E quando mataram um com espeto? Ela pode dar segurança? Isso foi retaliação clara da PM ao Vasco, que causou esse prejuízo.

Confira outros tópicos da coletiva de Eurico Miranda

Sobre a partida contra o Santos
Se tivesse que sair um vencedor dessa partida, teria que ser o Vasco.
Sensação de jogar jogo oficial sem torcida
Pior possível. Não entendo o futebol sem torcedor. Futebol sem torcedor é como se fosse um treino fechado.

Confusão no clássico Vasco x Flamengo

O Vasco tinha interesse naquilo que aconteceu? O Vasco tinha interesse em estar jogando hoje sem torcedor? Claro que não? O Vasco permitiu alguma vez esse tipo de coisa? Não. Tudo absolutamente provado e comprovado. Ninguém teve interesse de ver efetivamente se as coisas tem prova ou não. O que o Vasco quer é que essas coisas sejam devidamente esclarecidas. O Vasco se colocou desde o primeiro momento à disposição das autoridades, para que se apurasse os verdadeiros culpados e os culpados fossem punidos.
Julgamento na segunda-feira

Nós vamos ter o julgamento segunda-feira. Criar-se uma atmosfera de que o Vasco e a direção do Vasco seria culpada ou teria de uma certa forma estimulado o que aconteceu... Não precisa ter inteligência mediana para ver que o Vasco não tinha interesse nenhum no que aconteceu. Se o Vasco tivesse falado “Não, não queremos que isso aqui se apure…” Mas não. Desde o primeiro momento o Vasco pediu e continua pedindo que as coisas sejam apuradas e que cheguem a um final comprovado de quem tem culpa e quem não tem culpa.

O Vasco vai apresentar os vídeos e as provas de tudo o que fez em relação ao jogo. O Vasco cumpriu todas as normas, apresentou todos os laudos, todos. Vai depender, evidentemente, do julgamento dos auditores. Espero que eles entendam. Não espero que o Vasco seja absolvido, nem vou pleitear. Mas que não seja penalizado com 25 jogos. Não é por aí.

Acusação de proteção do Gepe ao Flamengo

Eu disse na matéria, e vou dizer para vocês todos, que estranhava muito que o Gepe faça relatório e não tenha um relatório de acontecimento que tenha ocorrido na Ilha do Urubu. Por quê? É tratamento diferenciado? Ou têm componentes do Gepe que prestam serviços ao Flamengo?

Identificação dos torcedores que não podem entrar no estádio
A PM identificou um fulano que não podia estar no estádio. Identificou? Por que não prendeu? Por que o Vasco é obrigado a saber se fulano não tem que estar no estádio, se não recebeu nenhuma comunicação? Todas as comunicações que o Vasco recebeu de fulano que não pode comparecer no estádio são afixadas e colocadas para que esses indivíduos sejam impedidos de entrar no estádio.

Já foi comprovado que o Gepe, de dentro do gramado, atirou bomba de gás do torcedor na arquibancada e depois se vangloriou que era para matar no chiqueirão. Para isso eles têm coragem. Colocaram a camisa do Flamengo. E já fizeram alguma coisa a respeito desse policial? O Vasco tentou identificar todos aqueles que foram possíveis com a imagem.

Sobre matéria em que Gepe afirma que membros de organizada trabalham no clube
Tenho que deixar meu protesto: a Rede Globo e suas afiliadas fizeram uma matéria tendenciosa, maliciosa. Pediram para ter uma entrevista comigo. Sou contra entrevistas gravadas, e pinçaram o que interessavam e colocaram determinadas colocações que realmente são minhas, mas dentro de um contexto.

Sobre problema de torcedores de Força Jovem, sobre a matéria que diz que o Vasco contrata torcedor da Força Jovem. Isso é brincadeira. O Vasco tem 630 funcionários. E eu não posso discriminar se eles são evangélicos, se são do PT… Não tem essa discriminação. Assim como não tem discriminação para saber se ele é da torcida tal ou da torcida tal. O Vasco tem 16 torcidas organizadas. Algumas com mais de 50 anos. Se eventualmente tem alguém que é componente da Força Jovem e foi contratado pelo Vasco… O Rodrigo, que colocaram como personagem, é funcionário do Vasco há três anos.

Sobre revista na entrada do estádio

Quem pediu para fazer a revista foi a PM. Não foi o Vasco. Na ata do jogo a PM disse que não tinha contingente necessário e pediu para que se contratasse stewards (seguranças) para a revista com a supervisão da PM. O Vasco não fez nada que não fosse dentro daquilo previamente estipulado.
Medidas de prevenção tomadas

(As confusões) estão vindo de fora para dentro. Desde o jogo anterior, o Vasco comunicou ao Jecrim, registrou queixa-crime de incitação à violência, fez isso tudo antes, não fez depois do acontecimento. E vai atribuir a culpa ao Vasco?

Vasco não tem acesso a lista de torcedores proibidos de entrar no estádio?
Claro que não. Não recebi lista nenhuma. E na realidade isso não existe. O que existe é uma punição a torcidas organizadas, que impede que seus integrantes vão a um jogo identificados, que usem bandeiras, etc. E aqueles que forem devidamente identificados e punidos, é outra coisa. A polícia sabe de todos. Eles são obrigados a comparecer a delegacia em dia de jogo. Se a PM conhece eles todos, porque não prende? O Vasco recebe lista nenhuma. Recebe determinação da justiça determinando que fulano foi impedido de entrar no estádio, e fixa na entrada.
Sobre o procedimento de identificação biométrica que o Ministério Público quer implementar

Todas as medidas que visam o bem do futebol são úteis. Agora, tem que saber se elas podem ser aplicadas. Como se aplica esse esquema? Só nos estádios do Rio ou de todo o Brasil? Eu assisto um jogo fora do Rio, lá eu serei identificado? Na prática acho muito bom. Quero ver se funciona. Não sou contra a biometria, aliás, não sou contra a nada que venha a beneficiar. Mas tem determinadas medidas que só vem cada vez mais dificultar que o torcedor venha ao estádio.

Responsabilidade ao Gepe
Para finalizar: o Vasco vem de uma vitória em Salvador. Se o jogo é em São Januário, que público teríamos? Público grande. Eles tiraram isso do torcedor. E quem é o maior responsável? O Gepe da PM.


Assessoria com GE

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