A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (20), no Palácio do Planalto, que se os atos de corrupção na Petrobras tivessem sido investigados já na década de 1990, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o esquema criminoso que atuou na estatal nos últimos anos não teria se propagado.
Sem citar nomes, a chefe do Executivo se referiu ao depoimento do executivo da Toyo Setal Augusto Mendonça à Justiça Federal do Paraná. Um dos delatores da Operação Lava Jato, Mendonça relatou em juízo que o "clube" de empreiteiras que dividia entre si obras da estatal passou a combinar resultados de licitações desde meados da década de 1990, quando o país era governado por FHC.
"A gente olhando os dados que vocês mesmos divulgam nos jornais: se em 96, 97 tivessem investigado e tivessem, naquele momento, punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras que ficou durante mais de dez anos, mais de 20, quase 20 anos, praticando atos de corrupção. A impunidade - isso eu disse durante toda minha campanha - a impunidade, ela leva água para o moinho da corrupção", disse Dilma ao final da cerimônia de entrega das credenciais dos embaixadores de cinco países.
Mendonça, no entanto, contou à Justiça que o cartel passou a ter efetividade a partir de 2004, segundo ano do governo Luis Inácio Lula da Silva (2003-2010). De acordo com o executivo da Toyo Setal, foi neste momento que as construtoras passaram a negociar com os ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa e Renato Duque – ambos investigados pela Lava Jato – e começou a ocorrer cobrança de propina para que as empresas obtivessem contratos.
Em nota enviada ao G1, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que evitou se manifestar desde o início das investigações de corrupção na
Petrobras mas que, após a "campanha de propaganda defensiva" da presidente Dilma, ele foi "forçado a reagir". Segundo FHC, Dilma deveria "fazer um exame de consciência" e admitir que "foi descuidada ao não recusar a compra da refinaria de Pasadena" (veja a íntegra da nota ao final desta reportagem).
"A Excelentíssima Presidente da Republica deveria ter mais cuidado e, em vez tentar encobrir suas responsabilidades jogando-as em mim, que nada tenho a ver com o caso, fazer um exame de consciência", diz a nota.
"Poderia começar reconhecendo que foi no mínimo descuidada ao aprovar a compra da refinaria de Pasadena e aguardar com maior serenidade que se apurem as acusações que pesam sobre o seu governo e de seu antecessor."", conclui o ex-presidente.
Na ocasião em que Mendonça deu a declaração ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, o Instituto FHC afirmou, por meio de nota, que, conforme o próprio depoimento, o cartel só passou a ser efetivo em 2004, ano em que o país já era governado por Luis Inácio Lula da Silva.
G1
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